segunda-feira, 24 de maio de 2010

Governador Rogério Rosso prometeu mudanças. Vamos cobrar!

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GDF fará novo planejamento das unidades comunitárias de segurança

Objetivo é evitar casos semelhantes ao do homem agredido no último sábado. Antes de ir sozinho pedir silêncio ao grupo de rapazes que o atacou, ele havia buscado apoio de policiais militares

Noelle Oliveira
Publicação: 21/05/2010 07:54 Atualização: 21/05/2010 08:01

Posto de combustível da 214 Sul, onde o movimento está reduzido: vinha da loja de conveniência o som alto que incomodou Anísio Lemos

Momentos antes de ser espancado por pedir silêncio a um grupo de rapazes no posto de combustíveis da 214 Sul, o tenente da Aeronáutica Anísio Oliveira Lemos, 46 anos, procurou ajuda. Dirigiu-se ao Posto Comunitário de Segurança da Polícia Militar na 216 Sul e lá ouviu que os soldados não poderiam deixar o local desguarnecido. Lemos ficou desamparado e essa queixa é uma das mais comuns entre quem recorre às unidades. Por conta do grave episódio do último fim de semana, o governador Rogério Rosso pediu à corporação que faça um novo planejamento dos cerca de 100 postos comunitários existentes no DF. O documento será apresentado nos próximos 20 dias. A primeira mudança deve ocorrer justamente no da 216 Sul, no qual os policiais visitarão moradores e comerciantes para conhecer a realidade das quadras.

O efetivo também aumentará, com a convocação de 500 militares da reserva destacados exclusivamente para os postos. Porém eles só começarão a trabalhar daqui a oito meses, prazo do curso de formação. Com a medida, a PM tem por objetivo se aproximar da população, para que casos como o de Anísio Lemos não se repitam. “Se (o posto de segurança) não está funcionando da forma como deveria, o comandante da PM vai apresentar uma mudança de curto prazo para alterar e melhorar o atendimento. Se for preciso, vamos chamar policiais reformados, fazer integração, enfim, uma série de ideias que debateremos com calma”, comentou Rosso.

Laudo

Também ontem, o Instituto de Medicina Legal (IML) entregou à Polícia Civil o laudo que comprovou as agressões sofridas pelo oficial da Aeronáutica. De acordo com o documento — que não possui fotos, somente descrições —, a região mais atingida foi a cabeça da vítima. A maioria dos registros é de hematomas, cortes e arranhões. Segundo o IML, as lesões não poderiam causar a morte do militar.

Mesmo assim, a polícia defende que a vítima sofreu uma tentativa de homicídio qualificado, por motivo fútil e sem chance de defesa, já que, de acordo com a dinâmica dos fatos — de sucessivas agressões desde o posto até o prédio onde vive o oficial, no Bloco K da SQS 214 — os agressores só pararam de espancar Lemos após a intervenção da mulher dele. Se a familiar não tivesse chegado, acredita o delegado-chefe da 1ª DP (Asa Sul), Watson Warmling, provavelmente o ritual de covardia continuaria, podendo levar o militar à morte. “Eles assumiram o risco de matar a vítima”, considerou.

Até o momento, já foram indiciados Daniel Benquerer, 23 anos, filho da dona do posto de combustíveis e um dos principais agressores, e Edécio Borges, 22, que também participou do espancamento imobilizando a vítima pelo pescoço. Borges já tinha passagens pela polícia, inclusive por perturbação do sossego e da tranquilidade alheios. Os investigadores continuam fazendo o trabalho de reconhecimento de suspeitos, mas nem o militar nem outras testemunhas conseguiram apontar novos envolvidos. “A própria vítima se sente mal por não conseguir ajudar na identificação, mas isso é normal, já que o fato foi muito rápido”, disse o delegado.

Os policiais trabalham agora com a análise quadro a quadro das imagens das câmeras de segurança do bloco onde ocorreu a agressão, mas o vídeo não tem boa qualidade. Ontem, a polícia recebeu mais imagens do prédio, mas devido à grande distância em que foi feita a gravação, elas não poderão ser úteis para as investigações. Em uma das cenas, uma mulher de roupa preta aparece segurando um dos agressores. Ela estaria tentando apartar a briga e não é investigada.

Enquanto isso, no posto de combustíveis da 214 Sul, o movimento de clientes é reduzido — um boicote foi organizado por internautas. Segundo uma das funcionárias, a proprietária do posto permanece no local durante o dia, mas passou a recomendação de que não se pronunciará. Daniel também visita o estabelecimento, mas com menor frequência. O celular dele, por sua vez, está sempre desligado. Na residência do acusado, na Asa Norte, o único recado dado por uma voz feminina que se identifica como empregada da casa é de que ninguém está no local.

Posto comunitário de segurança da PM: existem cerca de 100 no DF

Os vizinhos do agressor preferem não comentar o assunto. “A gente fica em uma situação complicada, foi errado o que ele fez, mas o moço mora aqui no prédio”, limitou-se a dizer um morador da mesma portaria que Daniel. Para um amigo pessoal, Daniel defendeu a versão de que tentou evitar que o oficial Anísio Lemos fosse agredido. “Ele disse que o cara desacatou o pessoal, que queria apaziguar a situação e que ele (Daniel) correu para separar a briga, mas acabou se envolvendo como a gente mesmo viu nas imagens”, afirmou o amigo do acusado. Nota do Blog: Agora Daniel "virou" protetor de Anízio. Era só o que faltava!

Exames

O militar Anísio Lemos passou a tarde de ontem descansando após realizar pela segunda vez exames oftamológicos para avaliar sequelas das pancadas, como deslocamento da retina. Ele reclama estar com dificuldades para enxergar, mas ainda não sabe se isso se trata de um efeito do trauma. O oficial não teve acesso ao laudo do IML que detalha as agressões. “Estou me recuperando, mas só vou fazer um exame mais específico na próxima semana. Ainda não tomei conhecimento do laudo, mas com certeza ele será usado para o meu embasamento”, disse Lemos.

Depois da conclusão, o inquérito policial que investiga a violência contra o oficial da Aeronáutica será enviado ao Ministério Público, que pode abrir processo contra os jovens agressores. Se condenados pela tentativa de homicídio, os réus estarão sujeitos a 10 anos de prisão. Se os acusados do ataque também forem condenados ao crime de dano ao bem público, eles poderão pegar mais três anos de detenção. “Estamos trabalhando para checar novas denúncias e contamos com a ajuda da população”, afirmou o delegado Watson. Denúncias anônimas sobre o caso podem ser feitas pelo telefone 197.

O número

500

Quantidade de policiais militares da reserva que serão convocados a trabalhar nos postos comunitários de segurança

Memória

Dois são indiciados

O tenente da Aeronáutica Anísio Oliveira Lemos, 46 anos, foi ao posto de combustível que fica em frente ao seu prédio, no Eixo L Sul na altura da Quadra 214, por volta das 3h do último sábado, para reclamar com o gerente do estabelecimento, Daniel Benquerer Costa, 23, do som alto que estava ligado na loja de conveniência. Mas o militar foi agredido pelo gerente, que é filho da proprietária do posto, e por outras quatro pessoas. Lemos tentou fugir, mas os agressores o perseguiram. Além de receber vários socos, o tenente foi arremessado contra uma portaria de vidro do prédio onde mora. Quatro acusados de agressão fugiram e um permaneceu no lugar. O militar foi socorrido pela mulher. Daniel se apresentou à delegacia e assumiu as agressões, dizendo não conhecer os outros participantes da briga. Ele e Edécio Borges, 22 anos, também suspeito de bater no militar, foram indiciados por tentativa de homicídio qualificado. Ainda falta identificar três jovens que se envolveram no espancamento.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nasci em Brasilia e morei ate os 26anos de idade. Quando sai comprovei o que ja sabia de antes: a cidade é uma bolha, uma ilha. A falta de nocao de muita gente acostumada com um padrao de vida exageradamente irreal é o que gera essas distorcoes. Longas filas de playboys que tem facilidade demais na vida. Coloca esses bacanas para ter que se virar sem um sequito de escravos que o dinheiro dele paga e eles mudariam de atitude!

Anônimo disse...

Parabéns a iniciativa. Não esqueceremos do que ocorreu.

Essa é a força da população perante a barbaridades como que ocorreram.